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Priscila Bianchi TO Infantil

Entenda a neurodivergência e a sensibilidade infantil

  • Foto do escritor: Priscila Bianchi Lopes
    Priscila Bianchi Lopes
  • 18 de mai.
  • 2 min de leitura

Regulação gera conexão: enxergando além do comportamento


Uma reflexão sobre neurodivergência, sensibilidade e a importância de enxergar e compreender a criança.


Há uma distorção frequente: “O que há de errado com meu filho? O que ele tem? Meu filho explode do nada? Como podemos corrigir?”


Mãe preocupada com o filho autista

Isso atormenta muitos pais que chegam até mim com um olhar ansioso e preocupado. Eles buscam respostas que justifiquem a dor e o desespero de uma rotina agitada, exaustiva e marcada por inúmeras tentativas de entender seus filhos.


Com o coração pesado, não conseguem compreender como uma criatura tão cheia de inteligência e amor “explode do nada” e, de repente, torna a vida tão difícil por coisas aparentemente triviais, como alterar um planejamento do dia, calçar os sapatos para sair de casa ou fazer a lição de casa.


Mas, na verdade, por trás de todo comportamento existe uma emoção, um pensamento que foi formado pelas interpretações das sensações.


Quando passamos pelo processo de avaliação da neurodivergência, no qual juntos vamos nomeando o significado de cada aparente birra, aparente manha ou provocação, tudo vai ficando mais claro, mais compreensível e mais tolerável. Por outro lado, a mesma pergunta retorna: “Como podemos corrigir? Isso tem cura?”


A verdade que tenho a honra de compartilhar é que não: o cérebro do seu filho não precisa de cura e não vai se tornar neurotípico e ufa, que bom.


Porque, bem da verdade, o cérebro do seu filho não precisa de cura. Ele não precisa se tornar outra pessoa, mas


  • Aprender a lidar melhor com sua neurodivergência.

  • Ensinar a nós, adultos, como conduzir e acolher toda essa sensibilidade.


E, é claro, vamos tratá-lo. Vamos ajudá-lo a filtrar as sensações, organizá-las de forma eficiente e utilizá-las de maneira segura e prática. Mas o que quero destacar aqui é que, muitas vezes, aquilo que pensamos que precisa ser corrigido é, na verdade, uma bênção algo que traz vantagens, desde que possa ser utilizado de forma assertiva.


Uma sensibilidade aumentada não precisa machucar seu filho, nem as pessoas ao seu redor. Quando compreendida e cuidada, ela pode ajudá-lo a entender o mundo, as pessoas e as relações de uma forma mais rica e ampliada.


Por isso, sempre digo a eles: “Grandes poderes, grandes responsabilidades.”


Sem romantismo, mas com muito afeto e sabedoria, precisamos estar abertos para enxergar nossas crianças — e também a nós mesmos — de uma forma compassiva e integrada, sem a tentativa constante de fazê-los se encaixar na ditadura da normalidade.


Texto escrito por Dra Priscila Bianchia Lopes, Mestre em Terapia Ocupacional, especialista em desenvolvimento infantil, neurodivergência e integração sensorial.

 
 
 

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